FALSA PARTIDA
- csaloio
- 20 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Porventura o Almirante Gouveia e Melo imaginou que havia tirado um coelho da cartola ao anunciar nas vésperas das eleições legislativas a sua candidatura às presidenciais do próximo ano. Mas esta ideia “brilhante”, depois de um longo tabu cujo desfecho o país inteiro conhecia e de ter garantido anteriormente que só o iria desfazer após o acto de 18 de Maio, apenas serviu para evidenciar a falta de oportunidade no que respeita ao timing e, é claro, o incumprimento da afirmação produzida.
Na prática, usou o pré-lançamento da candidatura para irromper em contramão pela campanha das legislativas, aparentemente para ganhar mediatismo na abertura dos telejornais. Terá entendido que, neste contexto, ao desviar as atenções em benefício próprio, isso era uma óptima jogada de marketing e que, antes de serem conhecidos os então imprevisíveis resultados eleitorais, acenava desde logo a quem quer que fosse ocupar o poder, mantendo assim a sua auréola de independente.
Mas esqueceu-se que era uma jogada demasiado frágil e perigosa. Invadir a corrida para S. Bento (justificando-se com a situação internacional e com o argumento absurdo do envio atempado dos convites para o evento da entrada definitiva em cena, previsto para o final de Maio) não lhe deu a plenitude dos frutos pretendidos, como seria expectável. E com esta atitude, numa ocasião obviamente inapropriada, apenas conseguiu o desinteresse dos políticos, as reacções negativas de alguns jornalistas e comentadores, além das opiniões pouco abonatórias que, de imediato, surgiram nas redes sociais. Só não sofreu mais críticas porque era tempo de outras prioridades.
É certo que – a esta distância das presidenciais e antes de conhecidos todos os candidatos – já se posiciona à frente na corrida, devido ao seu bom desempenho quando chamado a gerir o processo de vacinação no período conturbado da pandemia (neste aspecto faça-se a devida justiça), mas quanto ao arranque da candidatura a Belém reprovou logo na primeira prova. Apesar de, segundo o jornal “Expresso”, ter confessado a fontes próximas que afinal a declaração foi um “erro de cálculo”, por não ter avaliado correctamente o impacto da oportunidade, não o iliba de críticas.
Porém, agora que a dita imprevisibilidade dos resultados das legislativas se confirmou, com uma alteração do cenário político que poderá baralhar os dados das candidaturas à eleição de Janeiro, só Marques Mendes está seguro com o apoio confirmado da AD. Nesta ocasião para os lados do PS, a começar pela liderança, há demasiada matéria para debater e a meses das presidenciais não é uma questão prioritária. Assim sendo, o contexto que anteriormente podia ser muito confortável para o almirante, roubou-lhe facilidades. Como se viu, o eleitorado do Chega vai-nos habituando às piores surpresas.

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